September 18, 2006

Projeto Tamar.

Uma das coisas que queria visitar em Salvador era a sede do Projeto Tamar, sempre fui entusiasta destas iniciativas de presevação ambiental e já conhecendo o projeto lá de Ubatuba, na cidade e na Ilha Anchieta, aqui na Praia do Forte não podia deixar de ver a sede principal. Assim mais uma vez os incansáveis Salgados foram comigo e enquanto eles bebiam no bar visitei sozinho todos os aquários.








Paisagens da Bahia!!!



















Em toda a viagem até aqui foi na Bahia que vimos as paisagens mais bonitas, Abrolhos, Camamu, Peninsula de Maraú, Morro de SP e em Salvador não foi diferente. Porém quando estamos num veleiro é inevitável deixarmos de ver muitas praias da costa, pois geralmente por medida de segurança velejamos em torno de 10 milhas longe da costa em mar aberto. O carro traz a vantagem da rapidez e da proximidade de um visual imperdível e foi assim que alguns passeios como Rio Jacuípe, Praia do Forte, Imbassay, Praia do Sal e Itapuan, foram feitos a bordo do corsinha dos Salgado !!!

Amigos e saudades !!!
















Enquanto estamos em movimento as coisas vão passando e nem percebemos o quanto voamos e vivemos, foi assim até chegar aqui e quando o ritmo mudou e criei uma certa rotina fixa na cidade os fatos foram sendo processados e as fichas caindo, nestas horas a saudade aperta.
Encontrei em Salvador um grande amigo de São Paulo, o Fernandinho, que junto com seu irmão Vitor estão a um ano e meio desbravando o mercado de trabalho baiano.
Muitos papos e entre cervejas e passeios os irmãos Salgado foram maravilhosos guias e companheiros de passeios e baladas.
Para o final de semana do dia 26 de setembro finalmente havia convencido a Bianca de vir para cá matar a saudades depois de quase 30 dias longe e não podia ter sido em melhor hora, a namorada do Rubens também viria e ambos resolveram participar da regata de Aratu/Maragojipe passando o final de semana fora e deixando o Astrolábio inteiro para nós.
Assim juntos com os irmãos Salgados passamos a tarde do sábado no pier do Flat se embebedando e vendo o pôr do sol e fomos no domingo até o Rio Jacuípe e a Praia do Forte, além disto sozinhos no Astrolábio pudemos por o papo em dia e sonhar em um dia estar alí, de novo e da mesma maneira com o nosso próprio barco.
Para se despedir nada como o ensaio do Olodum no final de um domingo em pleno pelourinho, foi curto e intenso, mas valeu a pena!!!

Salvador com "M" maiúsculo !!!




Salvador é mais do que MENDIGAGEM e com o tempo vc aprende a MALANDRAGEM para escapar destas abordagens insistentes e começa a enxergar as outras faces de uma cidade que mais do que mendiga canta.
MÚSICA é uma feliz constante em todos os dias e todas as horas na cidade que é pura música.
Ensaios do Olodum de domingo e terça, pagodes, sambas, capoeiras, concertos ao ar livre e sempre invasões de tambores que descem a ladeira encantando a todos dão o ritmo aos que andam a pé pelo Pelourinho.
O MAR também é senhor da cidade e ele está em todos os lados dela, da Bahia de Todos os Santos desde Maragojipe até dobrar o Faról da Barra e sair para o mar aberto Salvador está voltada toda para o Mar.
MULATOS são a maioria por aqui e se vc não tem "aquele" bronzeado afrobaiano tú é então galego turista e pode esperar, alguém vai te pedir um real, um cigarro, um prato de comida....ou ainda vc vai ser abordado pelas MERETRIZES!!! e como tem delas por aqui, na rua ao ar livre, dia e noite, em todo o canto a toda a hora e ainda te falam na cara dura: - Me leeeva?
Assim em pouco tempo de vivência descobri que Salvador se escreve com "M" maiúsculo!!!

Me dá, me dá, me dá..........!!!





Depois de encerrado o Cruzeiro a rotina mudou para todas as tripulações, alguns se despediram deixando os barcos, outros permaneceram na cidade a espera do Rally Salvador / Maceió / Recife que partiria dia 14 de setembro e enquanto isto, quem ficou, colocou a vida em dia e saiu a turismo pela cidade baiana. Foi o meu caso !!!
Aproveitei o tempo para visitar amigos que aqui moram, conhecer a cidade e respirar a sensação de morar por quase 20 dias entre a Cidade Baixa e o Pelourinho, usando o elevador lacerda diariamente para "trabalhar", e foi de lá no Bahia Café (uma Baiano house) que diariamente consegui atualizar grande parte dos capítulos deste blog numa rotina bem baianamente lezada.
No início o que mais me impressionou nesta cidade foi a mendigagem descarada: os olhares "pedintes esfomeados" muitas vezes bem barrigudos e bem nutridos não dão um tempo, é parar pra ver uma vista ou uma placa e vem 5 te pedir um real, uma moeda, uma comida, um cigarro ou seja lá o que for, o importante é continuar pedindo.
De todas as experiências a mais engraçada foi a de um casal que usou uma estratégia ótima fingindo serem surdos mudos. O mendigo tentou de tudo, falou inglês, francês, alemão, castelhano, gesticulou e eu percebendo sentado num bar quase morri de tanto rir, o casal percebendo pagou a conta e continuou gesticulando a "lingua dos gestos" para o mendigo e veio até mim comentar o quanto estava insuportável esta mania soteropolitana.
Iniciamos uma conversa até que o figura se avizinhou e escutando o casal falando em portugês não pensou duas vezes e lançou: - AAAHH O SENHOR FALA NÉ? Todos caímos na risada e o figura seguiu atrás deles pedindo: - Me dá um real, um café, um cigarro, um soco no olho, um abraço, qualquer coisa mas me dá alguma coisa.....

Final do Costa Leste 2006.




Chegar em Salvador teve um sabor de uma grande aventura concluída, na verdade não era nem a metade do caminho que tínhamos pela frente até chegar na Paraíba, mas um projeto de viagem se conquista por fases e aqui em Salvador se encerrava uma delas - a participação do Cruzeiro Costa Leste 2006.
Não acompanhei este cruzeiro desde o início, que partiu do Rio de Janeiro em 28 de Julho com 42 barcos. Perdi as etapas de Búzios e Cabo Frio, mas acabei respirando fundo esta iniciativa do Iate Clube do Rio de Janeiro que estimulou muitos barcos a largarem as suas poitas e subirem até aqui.
Muitas críticas e fofocas rolaram durantes as etapas, mas o resultado final que se extraiu foi que todos os barcos chegaram em segurança a Salvador, cumprindo todas as etapas e houve muita interação entre es tripulações, lindos passeios e principalmente as amizades entre as diferentes personalidades que participaram.
Se houveram falhas que sirvam estas para o aprimoramento da próxima edição, excessos? que se aparem as arestas, afinal de contas só erra quem se expõem a assumir a condução de um evento e a realizar um sonho, e o maior erro que se pode cometer é críticar quem assume os riscos ao invés de colaborar. Para mim foi uma experiência única, conheci pessoas maravilhosas, com histórias interessantes de vida e personagens que só fizeram me enriquecer como pessoa: Santini, Valmir, Rubens, Paul, Diana, o Dr. Wilson, a Claudia e Valdo, a Cristina, a família Beduina e Cavalo Marinho, o pessoal do Isadora, Kapiao, o Luis Poesia, os meninos de Vitória, o Taai fung, a Família Arizon, o Kakau mau mau, o Projeto Horizonte e os tripulantes Zóio e Maguila, O Nicolau e o mineiro, a turma de músicos do Serenata e Simbá, a turma do Isadora, TODOS os argentinos do Cruzeiro da Amizade, Leoa Louca, Pasargadas... Meu Deus com certeza esqueci de alguém neste mar de gente grande e personalidades tão diferentes; assim depois que todos os barcos foram recebidos no CENAB, foi tempo de festa e despedida ao som da trilha sonora que marcou o cruzeiro de 2006. Não sejamos loucos de parar por aqui!!!Que venha 2008 !!! (para ler mais acesse www.velejar.com, escrevi um resumo do cruzeiro costa leste para a revista)

September 11, 2006

No mar a caminho de Recife


Em poucos minutos sairemos de salvador em direção a Maceió, queremos chegar no sábado em Recife, lá terei mais tempo para escrever sobre os 20 dias que ficamos aqui, além da minha ida a Chapada Diamantina que foi uma surpresa e tanto, sendo assim me despeço e até a semana que vem, se deus quiser do Iate Clube Cabanga - Recife.
Noronha está finalmente chegando!!!

September 04, 2006

Sorria vc chegou na Bahia !!!

A nossa entrada na Bahia de Todos os Santos foi feita como se deve, velejando.
O vento deu o ar da graça até o final, apesar disto contrariar os nossos interesses naquele dia. Ao resolvermos enrolar a genoa percebemos que havíamos feito um erro de medição do cabo e não conseguíamos enrolar mais do que a metade da vela, ou seja, tinhamos na mão um barco que não iria parar nunca com aquele vento. Assim avançávamos entre outros veleiros, navios e a sinalização de navegação do porto numa velocidade indesejada, pensando no que fazer antes que a entrada do CENAB (Centro Náutico da Bahia) chegasse. Distraídos com a situação, de repente resolvi olhar embaixo da vela que fechava nossa visão e tomei um susto ao ver uma pequena canoa de pesca ancorada a menos de 5 metros do nosso rumo, comecei a gritar BORESTE BORESTE e os "agora brancos" pescadores baianos abriram os braços reclamando com razão da situação, foi por muito pouco que evitamos uma tragédia poucos minutos antes de chegar. O CENAB se aproximava, já se avistava o Forte Marcelo e tentamos enrolar a vela com a mão, depois com um cabo, pensamos em soluções e no final baixamos ela desajeitadamente entrando no CENAB por volta do meio dia, sob um sol forte e fógos de artifício.
Já ancorados no pier fomos recebidos pela mulata Baiana acompanhada do garçom trazendo especialmente à tripulação do Astrolábio uma bandeja de frutas e de caipirinhas. Estávamos na Bahia desde Abrolhos, mas em nenhum outro lugar fomos recebidos como foi na capital baiana.
Portanto SORRIA VC CHEGOU NA BAHIA!!!

September 02, 2006

Salvador na proa !!!


Última navegada antes de concluir finalmente a participação no Cruzeiro Costa Leste 2006, para mim tinha gosto de realização desde o embarque em Vitória. Quando lá cheguei não tinha nem certeza do embarque, depois houve o desafio da adaptação com o Rubens e possíveis imprevistos durante as nossas paradas, mas estava já tudo na esteira do Astrolábio e nas nossas lembranças da viagem até alí.
O Rubens se revelou para mim um excelente navegador, persistente, safo, minucioso e principalmente muito cuidadoso, virginiano ao extremo e teimoso como eu, mas acho que acabei sendo mais MULA do que ele e isso permitiu que eu continuasse ali, mantendo-me firme e forte como tripulante de um veleiro que tem um Capitão Samurai.
(quando baixa sai de baixo !!!)
Naquele dia nosso envolvimento já estava mais afinado e depois de 15 dias navegando juntos, e posso dizer pelo que escutei e vi de outras tripulações que participavam que o nosso era um case de sucesso neste cruzeiro.
Respeito, diálogo, troca de experiências e divisão justa de custos e tarefas foram mantendo o nosso bom convívio a bordo do Astrolábio.
Neste dia o vento soprou forte, 20/25 nós e mandou ondas altas e curtas, tornando a navegação dura e molhada. Avistamos mais baleias na proa e o sol deu a cara tornando a velejada sensacional. Sob um vento forte tudo ia bem até que o cabo do rizo da genoa se partiu, começou a bater tudo e rapidamente ajustamos a vela. O barco adernou muito e tínhamos que instalar um novo cabo de rizo para reduzir o pano. Assim fui com um cabo para a proa fazer o serviço e com a faca na boca, prendendo o cabo no pé, sentei na proa do barco que mergulhava inteira a cada onda na água e me ensopando por fora e por dentro.
Lembrei muito do meu grande amigo Fred, p mestrecuka e proeiro do Daruma que já meti em tantas situações parecidas nas regatas e cruzeiros que juntos fizemos, tenho certeza que ele faria o mesmo serviço feliz e com a mesma determinação.
Depois de cortar o cabo velho, enrolei com as mãos uns metros de cabo novo dentro do enrolador da genoa, a cada mergulho da proa parava o serviço para me segurar e assim que finalizei, voltei ensopado e em segurança para o cockpit do Astrolábio. Rizamos novamente a genoa e graças a Deus havia feito o serviço bem feito, a vela rizou direitinho e o barco voltou a navegar bem na dureza do mar. O Capitão Samurai ficou feliz e me deu até parabéns, mas 10 minutos depois o cabo partiu novamente...não tive dúvidas em refazer tudo de novo agora com mais expertise no assunto. Não deu outra, escolhemos um cabo novinho e este nos levou até o fim.
O resto da viagem foi só alegria até avistar na proa o sky line dos prédios de Salvador, os navios entrando e saindo do porto, o Faról da Barra e a tão famosa Bahia de Todos os Santos, velejávamos neste momento no través da Ilha de Itaparica.

ALVORAAAADA !!!


















A ressaca foi forte na manhã de terça feira dia 22 de agosto, e se de um lado pelo canal 16 eu tentava recuperar meu tênis, do outro lado e na mesma freqüência o comandante do veleiro Prometeus tentava recuperar o filho, todos os veleiros estavam finalmente partindo para Salvador. Assim um a um foi levantando âncora e vela e o Astrolábio saiu pela Baia de Camamu de mestra em cima a todo vapor em direção a mar aberto seguindo seus ways points. Mar picado, bastante vento, 15 nós, sempre com chuva na proa, mas sempre nos dando passagem, mais uma baleia deu o ar da graça e eu fiz um almoço de restos. Lá pelo final da tarde estávamos chegando com um vento mais forte e com chuva em Morro de SP, um lugar que sempre quis conhecer.
Ancoramos a uns 50 metros da costa, ainda estava claro e pude ver o contorno dos morros, as casas, os barcos de transporte, o pier da cidade, tudo ali tão perto quanto intocável.
Sairíamos por volta das 4 horas da manhã e colocar o bote na água para remar(ainda sem a peça do motor)não valeria a pena, até ensaiei pedir uma carona, mas a maioria dos barcos ancorou distante de Morro, mais a dentro da baia no vilarejo chamado Gambôa, e assim me conformei e apreciei a escuridão da noite tomar conta do meu destino revelando apenas as luzes do agito e do Faról de Morro de SP.
A chuva caiu durante a noite e lá pelas 4 da manhã o Domani se mandou, aguardamos mais uma hora e no intervalo da chuva foi a nossa vez, o tempo estava carregado e motoramos em direção ao mar aberto passando pela fragata da marinha que estava na região. Justamente quando passávamos ao través da fragata escutamos um apito longo e agudo, parecia um aviso, um alerta, e realmente era, pois logo em seguida escutamos alguém do barco falar ao megafone em alto e bom tom: ALVORAAAADA !!!
E assim ao alvorecer do dia 23 de agosto mantive no meu sonho um dia conhecer Morro de SP e se Morro estava ficando para trás na popa do Astrolábio tínhamos agora um outro objetivo, avistar SALVADOR na proa.

September 01, 2006

Não espalha o fato !!!


























Em Taipú de fora passamos todo o dia bebendo, comendo e como vcs vêem alguns comandantes padeceram no paraíso, final da tarde enfrentamos mais 40 minutos de saculejo na estrada de terra para voltar e ainda mais meia hora de escuna de Barra Grande até a Pousada da Soninha. Chegando no "bar central" as conversas eram de quando, como e para onde seria a próxima parada antes de chegar em Salvador.
Alguns iriam direto, outros sugeriram parar em Morro de SP para dormir.
O fato é que ninguém queria sair durante a noite de Camamu por causa dos recifes escondidos e todos preferiam chegar em Salvador durante o dia, afinal as luzes da cidade e a iluminação da entrada do porto se confundem na escuridão da noite, sem falar dos navios.
Neste cenário decidimos sair cedo na manhã seguinte e dormir em Morro de SP.
Última noite em Camamu e rolou a movimentação de uma balada entre os mais jovens, a caravana se organizou para saculejar mais uma vez 45 minutos até a vila de Barra Grande para ir dançar no único bar boate que tinha na região, o Espalha Fato.
A negociação foi complexa, feita entre os barcos Astrolábio, Arizon, Prometeus, Isadora, Pasagardas, Poesia e Kapiao e até o Rubens entrou no VHF para pechinchar o preço do Jipe, do Bar e da caipirinha de graça que o bar oferecia, foi uma tremenda zona no canal 06. Parecia um pregão.
Enfim a turma de 11 pessoas, incluindo eu, se aglutinaram dentro e fora do jipe e saculejaram na ida e na volta sob um céu muito estrelado e as luzes do faról de Península de Maraú vum visual alucinante. Já na "pista de dança" só deu a gente, tinha lá mais umas 4 pessoas, sendo dois os donos do bar. Transado o lugar, com uns desenhos legais na parede e no teto, as caipirinhas eficientes e o atendimento atencioso. Todos dançaram pela primenria vez juntos e lá pelas 2 da manhã os "mais experientes" como eu começaram a pôr uma pilha na moçadinha, confusão para pagar como sempre e iniciamos o saculejo da volta.
Voltamos ligeiramente desfalcados, pois além de um tripulante desertor que não voltou, tinha outro desacordado pelo excesso de caipirinha e notamos estes excessos pela quantidade de paradas necessárias durante o caminho de volta. Toda hora alguém gritava: - Vai vomitar !!! Quero fazer xixi !!! ou os mais caras de pau - Caiu minha sacola !!! e assim aos trancos e barrancos fui em silêncio me segurando, segurando até que olhando para meus pés notei, já quase chegando, que havia deixado meu único e querido tênis desta viagem no Espalha Fato !!!

Taipú de fora



A questão de eleger a "melhor" praia do Brasil ou a "mais bonita" é um desafio insano para qualquer um, trabalho para guias de turismo que objetivam promover a cada ano uma determinada região. O Brasil tem tantas praias lindas que não é possível que exista uma mais linda ou melhor, cada um de nós pode ter a sua própria preferência, quem conhece a Baia da Ilha Grande entende isso. No entanto Taipú de Fora com certeza está entre as praias mais lindas que eu já vi, disto eu não tenho dúvidas. Na maré baixa os corais aparecem e a água fica limpinha para mergulhar, tem ondas grandes para surfar e muito vento também para a prática de kite surf, wind, enfim, é uma praia para todos os gostos, isto deve ter sido um dos fatores que a elegeu a quarta praia mais bonita pelo guia da QUATRO RODAS deste ano, mas por curiosidade vamos aguardar o Guia do ano que vêm.
As fotos provam que ela merece infinitos aplausos.

Rally para Taipú de fora







































O dia seguinte seria o último antes da partida, já estava rolando uma movimentação e conversas paralelas sobre a partida dos barcos, desde Ilhéus na reunião de comandantes ficou decidido pela organização que a próxima reunião seria apenas no destino final do Cruzeiro Costa Leste, na capital Baiana. Sendo assim as paradas entre Ilhéus e Salvador variaram entre Itacaré, Morro de SP e Camamu. A grande maioria optou mesmo pela programação e desfrutou estes dias em Camamu e foi um tempo para fazermos passeios coletivos "abandonando" um pouco os veleiros na tranqüilidade desta bacia. Assim nosso último dia inteiro foi marcado por um rally amador que começou com um passeio de escuna até Barra Grande, dali pegamos 3 jipes que chacoalharam na estrada por uns 30 minutos para chegar a praia de Taipús de fora, considerada pelo guia 4 rodas a quarta praia mais bonita do Brasil, dizem que as outras 3 estão em Noronha. Foi divertido e doloroso tentar conversar saculejando dentro destes jipes.

Cabeça de bacalhau !!!




Voltando do passeio estávamos cansados e o povo acabou dispersando, alguns foram jantar na pousada da Soninha, outros ficaram nos barcos e eu saí de bote sozinho contra a maré e cheguei num buteco pra tomar uma saideira, acabei encontrando a galera de Vitória que tripulava o veleiro Poesia e o Lopes, 80 anos tripulante do veleiro Kapiao.
Tomamos cerveja e comemos um peixe escutando as histórias de pescador (as verídicas) deste experiente marinheiro que está junto com o Inácio, 75 anos, velejando desde o Rio de Janeiro num veleiro de 27 pés. A lucidez destes dois marinheiros e a tranqüilidade de viver impressiona e ganhou a admiração de todos os participantes do cruzeiro, é fato que eles às vezes não escutam bem, eles mesmos alertam, mas isto nada impediu que ambos tenham navegado como todos os outros chegando em todos as paradas dando uma lição de vela e de vida para as outras tripulções.
A discussão se bacalhau tem ou não cabeça tomou conta da metade da noite e, segundo o Lopes, bacalhau tem cabeça sim senhor!!! ou como ele mesmo responde - " já viu peixe sem cabeça nadando?"

Sapinho ou feijão, vale tudo na eleição!!!

A Baia de Camamu leva no nome de apenas uma das "cidades" que existe em toda a bacia, Cajaíba, Barra Grande e Maraú são outros vilarejos que se localizam dentro desta mesma bacia.
Cajaíba é a cidade estaleiro e preserva o trabalho artesanal dos mestres na construção das escunas que vemos operando turismo em Paraty e algumas até em águas estrangeiras.
São mais de 30 escunas atualmente sendo literalmente esculpidas a mão e dos mais diversos tamanhos, eu infelizmente não estive lá, mas ficou a desculpa para voltar um dia nesta região !!!
As fotos são de Maraú, uma das paradas para abastecer a escuna durante o passeio da cachoeira e lá descobrimos como conquista o povo do Brasil o nosso Presidente, - " LULA É FEJÃO, FEJÃO !!! Gritava um preto velho que se achegou na escuna e iniciou uma prosa sobre política com os estudados tripulantes, oferecemos um prato do risoto da Dna. Marli para ver se acalmava o esfomeado eleitor do Presidente Fome Zero, mas o que o cara quis mesmo foi se manter fiel ao Presidente e aceitou um trago da PINGA do Sapinho !!!
Essa é a cara do Brasil!!!

Cachoeira de Tremembé !!!













Faz uns 5 anos eu estive em uma das palestras do ADVENTURE SPORTS FAIR, que acontece todos os anos em Sampa, a deste ano acabou de acontecer. A palestra era de um velejador que havia navegado por diversos lugares do Brasil por mar, mangues e rios e trazia lindas fotos e boas informações sobre os lugares por onde ele passou, o que mais me lembro desta apresentação foi o relato deste navegador (que não me lembro o nome) sobre a Baia de Camamu e a possibilidade de chegar de veleiro e lançar âncora diante deste visual ai.
Sai sonhando em ir um dia com meu próprio barco e, se não foi assim, pelo menos meu sonho de conhecer a Cachoeira de Tremembé se realizou bem mais cedo do que eu imaginava !!!
Passamos a tarde nadando, comendo Pitús gigantes servidos com molho de ervas e vinho e mais pinga que rodou na nossa mão. Chegar não é fácil e exige conhecimento local, são águas rasas e cheias de labirintos e uma bússola aqui não serve para muita coisa, o que adianta mesmo é saber se vc vai pela esquerda ou pela direita na hora em que o mangue bifurca, trifurca e muitas vezes quadrifurca!!! Mas compensa qualquer esforço, vc não acha?

Farofa legal !!!


Depois de conhecer a Soninha, o "Alceu" e comer uns peixes fritos, arroz, feijão e cerveja, voltamos remando de botinho contra a forte maré vazante de volta para o Astrolábio, estávamos tão cansados que eu literalmente desacordei na minha tumba de proa. Após algumas horas, acordei com a gaiúta aberta sob minha cabeça, deixando passar um vento frio, um céu estrelado e ao som de um saxofone que vinha de algum outro barco, depois identificado como sendo o Isadora. Ainda meio sonado só fiz mandar uma mensagem ao meu amor e desacordei novamente encantado pela magia da situação.
No dia seguinte acordamos cedo e nos encontramos com os comandantes e tripulantes que participariam de um passeio de escuna programado para ir até a Cachoeira de Tremembé, eu não queria estar na pele do piloto da escuna levando um monte de comandantes sabe-tudo dando pitaco no modo de condução do seu barco, no início foi uma histeria geral, todo mundo falando ao mesmo tempo até que embarcamos a tripulação do Arizon e seus dois panelaços de risoto preparado pela Dna. Marli.
Todo mundo aplaudiu e sossegou se concentrando para um passeio pelo mangue que duraria todo o dia. Literalmente foi hora de todo mundo estar no mesmo barco e a farofa foi generalizada, os destaques foram o risoto e a pinga "Confusão do Sapinho" trazida pelo Janjão do veleiro Domani; não sobrou nada!!!

Mangues, praias e muita água doce !!!



A Baiana da vez !!!


Chegar neste lugar de águas tranqüilas depois das noites "badaladas" de Ilhéus era estar no Paraíso, no mínimo era sono profundo garantido, tínhamos ainda a previsão de ficar umas 3 noites antes de partir para Salvador. Sendo assim ancoramos, descemos o botinho mesmo sem poder usar o motor (aguardávamos uma peça fundamental) e fomos conhecer a famosa Soninha, advogada aposentada, uma senhora jovem, bonita, simpática, criativa e muito bem instalada neste lugar. Boa de prosa a encontramos alí, sentada no seu "bar central", acompanhada do irmão gêmeo do Alceu Valença..."Barba de um cabelo do outro"!!!
A Soninha lembrou minha Tia Rosa, criativa das artes e das idéias e cada veleiro que se arrisca a chegar lá ganha uma bandeira bordada por ela para registrar a sua passagem, tem por ali pelo menos umas 300 bandeiras de várias regiões do Brasil e do mundo e quase não tinha mais espaço para a do Astrolábio. É fascinante o que essa mulher conhece de velejadores e barcos e o Rubens acabou encontrando um antigo barco seu embandeirado por alí, um dia o meu Uauyara ainda vai ter a sua!!!
A Soninha está para Baia de Camamu como Camamu está para a Bahia, e se Porto Seguro já teve sua época de paraíso, depois foi Morro de SP, Caraíva e infelizmente chegou a hora desta jóia Baiana entrar no circuito dos marketeiros de turismo devoradores dos nossos redutos de tranquilidade!!!

Baia de Camamu - o mar de Brasilia !!!


Durante toda a noite motoramos com a mestra levantada, foi uma noite que começou estrelada e tornou-se fechada e escura aos poucos. Acompanhei pelo rádio como sempre as conversas entre os barcos pelo canal 16 e soubemos que o Radum tinha problemas com as recarga das baterias, o Feitiço reduziu para acompanhá-lo pois o Valmir, comandante do Radum, chegou a falar em desligar as luzes de navegação, na sub flotilha ainda tínhamos o veleiro Poesia que havia se afastado para mar aberto e nos dava previsão de ventos lá fora, mas resolvemos seguir motorando perto da costa pelo caminho mais curto, neste clima sem ventos o dia amanheceu e a costa da Península de Maraú apareceu linda com pequenos morros, um grande faról e praias aparentemente desertas. Por volta das 11:00 da manhã do dia 19 demos um bordo para dentro da Baia de Camamu, passando entre a Ponta do Mutá e a Ilha de Quiepe.
A entrada é larga, mas o perigoso é dentro já em águas abrigadas devido aos arrecifes escondidos pela maré alta.
Fiquei de olho vivo e até paramos o barco num momento de dúvida, havia uma linha d´água estranha na proa, como se houvesse alí um degrau indicando profundidade baixa, mas foi alarme falso e passamos direto chegando ao Campinho por volta do meio dia junto com os outros barcos que se dividiram entre fundear em frente a pousada da Soninha e a Praia do Goió. Camamu já foi projeto de porto, na época em que o governo queria levar o mar para Brasília, a turma dos impostos criou ali uma " grande obra de um porto exportador" que faz até hoje vazar dinheiro dos nossos impostos para alimentar a farra dos engravatados de Brasília. Veja na foto a "grande obra" que vc tem ajudado a manter.