February 21, 2012
August 20, 2011
November 03, 2009
November 01, 2009
Luanda, Africa 2009

Durante o ano de 2009 tive a oportunidade de viver mais uma especie de aventura, outra viagem de uma sequencia de 3 anos inconstantes, de idas e vindas, de poucas amarras, viagens e muitos desvios que ajudaram a me tranformar e enriqueceram o meu espirito.
Desta vez não foi velejando, nem foi nenhum periodo sabatico como aqueles antes vividos navegando pelo Brasil ou trabalhando como marinheiro na Italia, nem nada parecido com o que tinha vivido até então, desta vez tive o prazer de atravessar o oceano atlantico, de avião mesmo, para conhecer finalmente parte do continente africano, exatamente em Luanda, capital da Angola e para trabalhar como Arquiteto, a minha profissão que escolhi antes de me tornar velejador.
Contrariando o titulo e o primeiro intuito deste blog, que foi criando em Agosto de 2006 para, na minha ausencia, dividir com os amigos, familiares e a minha companheira Bianca os momentos que estava passando no mundo da vela, resolvi utilizar o mesmo espaço e acrescentar esta experiencia como arquiteto no continente africano, portanto em breve estarei escrevendo e expondo mais historias e imagens aqui na esteira do velejador, pois em qualquer lugar do mundo que visitamos e qualquer caminho que trilhamos deixamos um rastro, uma esteira que constroi nosso passado e transforma nosso futuro !
March 02, 2009
Era dia 20 de fevereiro, logo após o carnaval de 2007, havia navegado de Paraty a Bracuhi no meu veleiro Uauyara, a intenção era subir o barco para a manutenção anual, venenosa, reparos na fibra e afins, desta vez eu mesmo iria raspar e pintar o fundo, pois em épocas de vacas magras a gente se vira e assim foi a semana toda, o barco no seco em cima da carreta dentro do estaleiro de Bracuhi, no estaleiro fariam o serviço na fibra e eu o resto que incluía raspar e pintar a venenosa, durante uma semana dormi dentro do barco, um Ranger 22, acordando as 7 com o calor insuportável da cabine e fazendo turnos durante a noite entre uma aplicação de SBP e outra para liquidar os intermináveis pernilongos que não me deixavam dormir a partir das 2 da manhã। Entrei no ritmo e o trabalho progrediu até chegar a hora de voltar para a água e retornar a Paraty।
Neste despretensioso cenário no entanto aconteceu o inesperado, encontrei uma amiga que mora no Bracuhi e sabendo que eu estava trabalhando no barco uma manhã ela me visitou pra ver o Uauyara, em pouco tempo de papo me perguntou se eu não encarava de ir trabalhar como marinheiro de um Veleiro na Cidade portuária de Bari, na região da Puglia, Itália. Ela já era tripulante oficial e a "Coca", termo italiano usado para definir a "Mestre Cuca" da tripulação deste barco chamado Fetch 4, um Veleiro 24IMS One Design, concebido pelo proprietário, um industrial Italiano, projetado nos EUA e construído na Itália, 80 pés de casco, mastro com 36 metros tudo em fibra de carbono, uma quilha basculante que varia o calado de 2.90m a 4.60m com bulbo, 30 toneladas de pura tecnologia que navega na velocidade do vento ou, em determinadas situações acima dele, área vélica perto dos 400m2 além do balão que tem 590m2. Eram números impressionantes, nada que eu já tivesse chego perto na minha vida ate então, assim cai em sonhos entre o cheiro do primer e da venenosa de dia e o calor e os pernilongos canibais na pequena cabine do meu pequeno Uauyara durante as noites!!!!
A proposta era para ser o marinheiro do barco durante um semestre que iniciava a partir de Abril com um calendário de regatas na região do Mar Adriático e um cruzeiro de férias de verão previsto entre os meses de Julho/Agosto na Grécia, a intenção naquele ano era navegar até Athenas. Já havia um Capitão fixo, o Luis, ela era a Mestre Cuca e eu seria o marinheiro, salário fixo, passagem paga, despesas por conta do barco e retorno ao Brasil em outubro. Como filho de mãe italiana e pai croata o Mar Adriático sempre estivera nos meus planos, a língua e a cidadania italiana já faziam parte da minha vida e as coisas se facilitaram através da vela, escrevi um currículo contando as minhas experiências náuticas e como sempre estive envolvido com barcos e esportes náuticos fechamos a minha ida em 15 de abril, sendo assim iniciei a correria dos preparativos pessoais em São Paulo para viabilizar a viagem que envolvia uma série de coisas a que normalmente estamos presos como a profissão, as contas, o apto, a namorada e o próprio Uauyara que ficaria 6 meses fechado apos a reforma no Bracuhi.
Um mês depois do encontro com a Cristina estava embarcando em Guarulhos com a cabeça a mil !!!
Deu tudo certo e depois de 36 horas entre avião, escalas, trens e ônibus estava em Bari na Itália, as cinco da manhã dentro do CUS (Centro Universitário Esportivo), local aonde viveria até outubro, foi fácil identificar o barco, o único com 4 cruzetas no mastro. Dormi sentado junto com as malas no jardim do clube admirando minha nova casa e escritório e sonhando quantas coisas novas teria pela frente até que as 8 horas da manha fui acordado pelo Capitão Luis, que como todos os dias ia tomar seu café no bar do clube e isso já era uma das tantas rotinas diárias que passaria a viver nesta nova vida.
No tempo todo que estive embarcado como marinheiro do Fetch4 eu passaria por um processo de adaptação e convivência que variou da euforia ao arrependimento, do arrependimento a dúvida e da dúvida a aceitação, depois de reorganizar as expectativas foi só alegria, viver a bordo com quem não se conhece é um processo de adaptação difícil, morar aonde se trabalha também, para acordar no escritório e trabalhar em casa e vice versa é preciso muita disciplina pra entender quem é vice e quem é versa !!! Até que a Mestre "Coca" chegasse teria uma suíte própria com ar condicionado, passei o primeiro mês dando bom dia sem resposta até que me acostumei ao humor do capitão, nossa rotina era acordar as 8 horas, tomar café da manhã no barco cada um no seu tempo, e por volta das 9 começar o expediente muitas vezes sem falar muito, basicamente no "período comercial" trabalhávamos na manutenção e preparação do barco para diversos eventos, era época da Américas Cup e isso deu um tom a mais no período, assistimos ao vivo muitas das regatas pela TV entre um trabalho e outro torcendo sempre pelo barco italiano do Torben é claro. De Abril a Julho participamos de regatas, Julho e Agosto fizemos um cruzeiro de férias pela Grécia que durou 45 dias, além de diversos finais de semana de treinos e passeios pelos arredores de Bari, para cumprir esta programação tivemos que trabalhar duro na preparação do barco, quando envolvia regata tínhamos que "desmontar o barco", aliviar peso retirando mesas, sofás, portas, substituir driças e escotas além de trocar velas de dracon por kevlar e carbono, preparar a vela Cod 0, um tipo de gennaker todo em fibra de carbono que no saco pesa uns 200 kg.
Para suporte a todo este trabalho tínhamos um container no estaleiro, um furgão e dois botes para apoio, ser motorista disso tudo também era uma das minhas funções, participamos de 3 regatas neste período, Bari-Trani-Manfredonia, Bari-HercegGnovi, e Brindisi-Corfu, em todas elas a tripulação variava pouco, mas éramos sempre entre 14/15 homens de 70 a 20 anos.
As participações de regata eram sempre muito divertidas, trabalhosas e cansativas, pois além da regata em si, apenas eu e o Luis é que deixávamos a bagunça toda em ordem enquanto o resto da tripulação ia para o Hotel deixando literalmente tudo uma zona, mas afinal nossa função era essa também. Todas estas regatas foram de percursos longos, com até 120 milhas a serem percorridas numa perna única, virando a noite toda até chegar do outro lado do Mar Adriático, a primeira vez em HercegGnovi na Macedônia e a segunda vez em Corfu na Grécia, fiquei impressionado em todos os casos a organização das regatas, as festas, os barcos, na Brindisi Corfu naquele ano foram mais de 100 barcos sendo 7 deles Maxis, barcos acima de 70 pés como o nosso, um deles ela o Amer Sports Too barco que participou da VolvoRace em 2001 e hoje navega por aquelas águas em charters para regatas.
Acabado o período de regatas preparamos o barco para o verão, a Mestre "Coca" chegou do Brasil, fui despejado para a cabine do capitão e logo estávamos de partida para o cruzeiro pela Grécia com a Familia toda, dai foram quase dois meses pelo Mar Iônico passando por lugares lindos como Erikousa, Corfu, Meganisi, Gaios, o Canal de Lefkas, Scorpius, Ithaka, Mourtos, Fiskardo, Sivota e tantos outros, neste período na Grécia troquei a apertada cabine do capitão pelo cockpit, bem mais fresco e estrelado, tivemos também a bordo alguns eventos de destaque como minha queda na água ao remover a passarela de popa com o barco a todo pano e motor; o rato "Julius" que navegou e divertiu a tripulação adolescente de Gaios até Lefkas durante 4 dias comendo todas as garrafas de coca cola que guardávamos no porão, além das balas, batatas e uma melancia; o salvamento de um veleiro 38 pés que perdeu o mastro perto de nós em um dia de ventos acima dos 30 nós perto de Sivota, e a triste noticia dos incêndios que inviabilizaram nossa ida para Athenas uma vez que o Canal do Peloponeso estavam bloqueados pela fumaça.
Athenas em chamas, nossos planos viraram fumaça e com as férias no fim retornamos a Bari para retomar a rotina dos trabalhos e minha preparação para voltar ao Brasil dois meses depois, tudo que vivi neste período não cabe em uma folha de papel, mas as pessoas que conheci e convivi, as amizades que fiz, os lugares e a vida dentro de um barco deste porte foi uma experiência fantástica que guardo com muito carinho na minha alma navegante.
Neste despretensioso cenário no entanto aconteceu o inesperado, encontrei uma amiga que mora no Bracuhi e sabendo que eu estava trabalhando no barco uma manhã ela me visitou pra ver o Uauyara, em pouco tempo de papo me perguntou se eu não encarava de ir trabalhar como marinheiro de um Veleiro na Cidade portuária de Bari, na região da Puglia, Itália. Ela já era tripulante oficial e a "Coca", termo italiano usado para definir a "Mestre Cuca" da tripulação deste barco chamado Fetch 4, um Veleiro 24IMS One Design, concebido pelo proprietário, um industrial Italiano, projetado nos EUA e construído na Itália, 80 pés de casco, mastro com 36 metros tudo em fibra de carbono, uma quilha basculante que varia o calado de 2.90m a 4.60m com bulbo, 30 toneladas de pura tecnologia que navega na velocidade do vento ou, em determinadas situações acima dele, área vélica perto dos 400m2 além do balão que tem 590m2. Eram números impressionantes, nada que eu já tivesse chego perto na minha vida ate então, assim cai em sonhos entre o cheiro do primer e da venenosa de dia e o calor e os pernilongos canibais na pequena cabine do meu pequeno Uauyara durante as noites!!!!
A proposta era para ser o marinheiro do barco durante um semestre que iniciava a partir de Abril com um calendário de regatas na região do Mar Adriático e um cruzeiro de férias de verão previsto entre os meses de Julho/Agosto na Grécia, a intenção naquele ano era navegar até Athenas. Já havia um Capitão fixo, o Luis, ela era a Mestre Cuca e eu seria o marinheiro, salário fixo, passagem paga, despesas por conta do barco e retorno ao Brasil em outubro. Como filho de mãe italiana e pai croata o Mar Adriático sempre estivera nos meus planos, a língua e a cidadania italiana já faziam parte da minha vida e as coisas se facilitaram através da vela, escrevi um currículo contando as minhas experiências náuticas e como sempre estive envolvido com barcos e esportes náuticos fechamos a minha ida em 15 de abril, sendo assim iniciei a correria dos preparativos pessoais em São Paulo para viabilizar a viagem que envolvia uma série de coisas a que normalmente estamos presos como a profissão, as contas, o apto, a namorada e o próprio Uauyara que ficaria 6 meses fechado apos a reforma no Bracuhi.
Um mês depois do encontro com a Cristina estava embarcando em Guarulhos com a cabeça a mil !!!
Deu tudo certo e depois de 36 horas entre avião, escalas, trens e ônibus estava em Bari na Itália, as cinco da manhã dentro do CUS (Centro Universitário Esportivo), local aonde viveria até outubro, foi fácil identificar o barco, o único com 4 cruzetas no mastro. Dormi sentado junto com as malas no jardim do clube admirando minha nova casa e escritório e sonhando quantas coisas novas teria pela frente até que as 8 horas da manha fui acordado pelo Capitão Luis, que como todos os dias ia tomar seu café no bar do clube e isso já era uma das tantas rotinas diárias que passaria a viver nesta nova vida.
No tempo todo que estive embarcado como marinheiro do Fetch4 eu passaria por um processo de adaptação e convivência que variou da euforia ao arrependimento, do arrependimento a dúvida e da dúvida a aceitação, depois de reorganizar as expectativas foi só alegria, viver a bordo com quem não se conhece é um processo de adaptação difícil, morar aonde se trabalha também, para acordar no escritório e trabalhar em casa e vice versa é preciso muita disciplina pra entender quem é vice e quem é versa !!! Até que a Mestre "Coca" chegasse teria uma suíte própria com ar condicionado, passei o primeiro mês dando bom dia sem resposta até que me acostumei ao humor do capitão, nossa rotina era acordar as 8 horas, tomar café da manhã no barco cada um no seu tempo, e por volta das 9 começar o expediente muitas vezes sem falar muito, basicamente no "período comercial" trabalhávamos na manutenção e preparação do barco para diversos eventos, era época da Américas Cup e isso deu um tom a mais no período, assistimos ao vivo muitas das regatas pela TV entre um trabalho e outro torcendo sempre pelo barco italiano do Torben é claro. De Abril a Julho participamos de regatas, Julho e Agosto fizemos um cruzeiro de férias pela Grécia que durou 45 dias, além de diversos finais de semana de treinos e passeios pelos arredores de Bari, para cumprir esta programação tivemos que trabalhar duro na preparação do barco, quando envolvia regata tínhamos que "desmontar o barco", aliviar peso retirando mesas, sofás, portas, substituir driças e escotas além de trocar velas de dracon por kevlar e carbono, preparar a vela Cod 0, um tipo de gennaker todo em fibra de carbono que no saco pesa uns 200 kg.
Para suporte a todo este trabalho tínhamos um container no estaleiro, um furgão e dois botes para apoio, ser motorista disso tudo também era uma das minhas funções, participamos de 3 regatas neste período, Bari-Trani-Manfredonia, Bari-HercegGnovi, e Brindisi-Corfu, em todas elas a tripulação variava pouco, mas éramos sempre entre 14/15 homens de 70 a 20 anos.
As participações de regata eram sempre muito divertidas, trabalhosas e cansativas, pois além da regata em si, apenas eu e o Luis é que deixávamos a bagunça toda em ordem enquanto o resto da tripulação ia para o Hotel deixando literalmente tudo uma zona, mas afinal nossa função era essa também. Todas estas regatas foram de percursos longos, com até 120 milhas a serem percorridas numa perna única, virando a noite toda até chegar do outro lado do Mar Adriático, a primeira vez em HercegGnovi na Macedônia e a segunda vez em Corfu na Grécia, fiquei impressionado em todos os casos a organização das regatas, as festas, os barcos, na Brindisi Corfu naquele ano foram mais de 100 barcos sendo 7 deles Maxis, barcos acima de 70 pés como o nosso, um deles ela o Amer Sports Too barco que participou da VolvoRace em 2001 e hoje navega por aquelas águas em charters para regatas.
Acabado o período de regatas preparamos o barco para o verão, a Mestre "Coca" chegou do Brasil, fui despejado para a cabine do capitão e logo estávamos de partida para o cruzeiro pela Grécia com a Familia toda, dai foram quase dois meses pelo Mar Iônico passando por lugares lindos como Erikousa, Corfu, Meganisi, Gaios, o Canal de Lefkas, Scorpius, Ithaka, Mourtos, Fiskardo, Sivota e tantos outros, neste período na Grécia troquei a apertada cabine do capitão pelo cockpit, bem mais fresco e estrelado, tivemos também a bordo alguns eventos de destaque como minha queda na água ao remover a passarela de popa com o barco a todo pano e motor; o rato "Julius" que navegou e divertiu a tripulação adolescente de Gaios até Lefkas durante 4 dias comendo todas as garrafas de coca cola que guardávamos no porão, além das balas, batatas e uma melancia; o salvamento de um veleiro 38 pés que perdeu o mastro perto de nós em um dia de ventos acima dos 30 nós perto de Sivota, e a triste noticia dos incêndios que inviabilizaram nossa ida para Athenas uma vez que o Canal do Peloponeso estavam bloqueados pela fumaça.
Athenas em chamas, nossos planos viraram fumaça e com as férias no fim retornamos a Bari para retomar a rotina dos trabalhos e minha preparação para voltar ao Brasil dois meses depois, tudo que vivi neste período não cabe em uma folha de papel, mas as pessoas que conheci e convivi, as amizades que fiz, os lugares e a vida dentro de um barco deste porte foi uma experiência fantástica que guardo com muito carinho na minha alma navegante.
July 24, 2007
Como num passe de magica......
Em Fevereiro deste ano fiquei uma semana no Bracuhi, morando no estaleiro enquanto trabalhava no meu veleiro Uauyara, um ranger 22 pes. De dia sofria com o intenso calor e de noite lutava com pernilongos que bebem SBP de canudinho, uma semana entre tintas e ferramentas.
Em umas destas noites voltava do jantar no Cabana como de costume e no silencio da noite andando pelo pier pensava se neste ano eu realmente viajaria para a Italia, local aonde havia uma missao de ordem pessoal a cumprir, uma decisao que mais cedo ou mais tarde eu deveria tomar e pensando nisso adormeci.
Em umas destas noites voltava do jantar no Cabana como de costume e no silencio da noite andando pelo pier pensava se neste ano eu realmente viajaria para a Italia, local aonde havia uma missao de ordem pessoal a cumprir, uma decisao que mais cedo ou mais tarde eu deveria tomar e pensando nisso adormeci.
Foi neste contexto que no dia seguinte encontrei a Christina Amaral do Veleiro Aquarela enquanto eu pintava o fundo do barco, e numa conversa despretensiosa me perguntou de repente se eu nao gostaria de ir trabalhar na Italia, ???? coincidencia ou destino??? O que se faz nessas horas??? Nada, apenas ACEITA.
Era dia 28 de fevereiro e assim começou uma correria maluca entre Paraty, Ubatuba, Jundiai, Tatui e SAmpa para organizar uma revoluçao e organizar em 30 dias o que seriam os meus proximos pelo menos 6 meses.
Era dia 28 de fevereiro e assim começou uma correria maluca entre Paraty, Ubatuba, Jundiai, Tatui e SAmpa para organizar uma revoluçao e organizar em 30 dias o que seriam os meus proximos pelo menos 6 meses.
Apos uma despedida engasgada em cumbica com meu pai, gabriel, ana maria minha mae e a Bianca, parti para uma noite de aviao ate Amsterdam, uma conexao para Roma, um trem para Termini, 3 metros, outra noite de onibus ate Bari, mais um onibus e finalmente dia 13 de abril, as 6 horas da manha, depois de 36 horas de viagem, entrava pela porta do CUS - Centro Esportivo Universitario, para encarar os proximos 6 meses de uma nova rotina enquanto todos ainda dormiam, nao foi dificil ver o Fetch 4, minha nova casa e escritorio com um mastro de 36 metros e 4 cruzetas entre outros 200 veleiros ancorados, era um sonho sim, mas realmente eu estava na Italia para trabalhar num veleiro de 80 pès.
Deitei num muro baixo entre minha bagagem e meus sonhos admirando aquela tranquilidade, nao quis interfirir naquela paz e cansado adormeci ali mesmo enquanto o sol levantava, pensando em quantos desafios haveriam a partir daquele momento pela frente e de como tudo isso havia se concretizado desde o encontro com a Christina no Bracuhi como num passe de magica divino.
Deitei num muro baixo entre minha bagagem e meus sonhos admirando aquela tranquilidade, nao quis interfirir naquela paz e cansado adormeci ali mesmo enquanto o sol levantava, pensando em quantos desafios haveriam a partir daquele momento pela frente e de como tudo isso havia se concretizado desde o encontro com a Christina no Bracuhi como num passe de magica divino.
July 23, 2007
June 28, 2007
Fetch 4 - Uma nova Aventura !!!
O Fetch 4 é um veleiro Italiano, que fica em Bari na Italia, desde abril deste ano estou aqui para trabalhar 6 meses neste sonho de 24 metros, cinco cabines, todo construido em fibra de carbono somando 30 toneladas que voam com o vento levados pelos seus quase 900 metros quadrados de vela.
Propriedade e sonho de um empreendedor italiano de 72 anos que jà esta no quarto barco, cada vez construindo um barco mais interessante. Compartilham deste sonho o Skipper "italo-santista" Luiz, que ha 15 anos trabalha com Michele e mora entre a conexao dos mohitos de Trani e o Porto de Bari, um tipo que faz finta de rabugento mas que se revela uma figura engraçada e sem concorrencia a cada dia, para o verao teremos a presença da simpatica hostess mestre cuca Christina Aquarella Amaral que esta no seu quarto ano seguido seduzindo pelo estomago a tripulaçao do Fetch !!!
Propriedade e sonho de um empreendedor italiano de 72 anos que jà esta no quarto barco, cada vez construindo um barco mais interessante. Compartilham deste sonho o Skipper "italo-santista" Luiz, que ha 15 anos trabalha com Michele e mora entre a conexao dos mohitos de Trani e o Porto de Bari, um tipo que faz finta de rabugento mas que se revela uma figura engraçada e sem concorrencia a cada dia, para o verao teremos a presença da simpatica hostess mestre cuca Christina Aquarella Amaral que esta no seu quarto ano seguido seduzindo pelo estomago a tripulaçao do Fetch !!!
O Dom Michele e esposa Maria Luiza, Christina, Luiz e eu faremos parte da tripulaçao fixa deste "bello lungho" como o chamam por aqui, Dom Michele na verdade nao dorme aqui durante a semana, alias nem em regata, pois o negocio dele é participar de tudo, mas tudo mesmo!!! Entre os personagens deste grupo tem ainda o ex carabiniere, ex piloto de helicoptero, ex in-coma acidentado sabe tudo e meio diretor de logistica geral da equipe, Claudio Santoliquido que, alem de ser "assessoria de imprensa" do Fetch 4 é organizador de toda a tripulaçao das regatas que corremos, estas foram 3 ate agora: Trani-Manfredonia, Bari-Montenegro e a famosa Brindisi-Corfu, as regatas finalmente ja acabaram e o Fetch 4 ja esta todo montado e pronto para o Cruzeiro de verao que vem ai, alias nos é que vamos logo ali....navegando ate Atenas !!!
Estarei contando o dia a dia desta aventura, ainda por este canal e compartilhando as fotos e os fatos vividos desde que cheguei aqui, pois a esteira do velejador foi feita pra navegar...
January 04, 2007
Photoshow das imagens
As fotos das viagens no Veleiro Astrolabio, da Travessia do Daruma e agora da experiencia de trabalhar no veleiro Fetch 4 estao separadas em Sets no link abaixo
http://www.flickr.com/photos/naesteira/sets/
Abraço,
Bruno
http://www.flickr.com/photos/naesteira/sets/
Abraço,
Bruno
December 15, 2006
October 04, 2006
Só sobraram imagens, amizades e saudades!!!

Neste momento já desembarquei do Astrolábio. Após chegar a Recife, participar das duas regatas REFENO e CABEDELO, conhecer Noronha e participoar de todas as premiações e comemorações que fizeram as festas destes eventos únicos, veio a tristeza de despedir de pessoas que se tornaram uma familia cruzeirando pelo litoral desde meu embarque em Vitoria...Parto agora para uma nova etapa desta viagem, sozinho, por terra...destino? Natal, Fortaleza, Delta Parnaiba e Lençois Maranhenses, vou tentar atualizar todas as histórias vividas desde que sai de Salvador, me falta tempo, computador e calma....mas pulei todas as etapas para deixar este capítulo para que vcs saibam o que está acontecendo neste momento, não era de se esperar nada diferente, foi sensacional até aqui, as pessoas que conheci, as velejadas que dei, os lugares que passei, muitas surpresas como a participação do meu pai na etapa de Noronha no barco Cavalo Marinho...meu acidente de Buggie em Noronha e tantas outras historias que vivi navegando até aqui - CABEDELO.
A Paraíba deu Show de recepção e Recife que se cuide....pois Paraíba é Cabra Macho sim Senhor !!! e não tem pra ninguém!!! Sigo por terra, mas continuem navegando por aqui pelo norte do Brasil...
September 18, 2006
Projeto Tamar.
Uma das coisas que queria visitar em Salvador era a sede do Projeto Tamar, sempre fui entusiasta destas iniciativas de presevação ambiental e já conhecendo o projeto lá de Ubatuba, na cidade e na Ilha Anchieta, aqui na Praia do Forte não podia deixar de ver a sede principal. Assim mais uma vez os incansáveis Salgados foram comigo e enquanto eles bebiam no bar visitei sozinho todos os aquários. 


Paisagens da Bahia!!!






Em toda a viagem até aqui foi na Bahia que vimos as paisagens mais bonitas, Abrolhos, Camamu, Peninsula de Maraú, Morro de SP e em Salvador não foi diferente. Porém quando estamos num veleiro é inevitável deixarmos de ver muitas praias da costa, pois geralmente por medida de segurança velejamos em torno de 10 milhas longe da costa em mar aberto. O carro traz a vantagem da rapidez e da proximidade de um visual imperdível e foi assim que alguns passeios como Rio Jacuípe, Praia do Forte, Imbassay, Praia do Sal e Itapuan, foram feitos a bordo do corsinha dos Salgado !!!
Amigos e saudades !!!

Enquanto estamos em movimento as coisas vão passando e nem percebemos o quanto voamos e vivemos, foi assim até chegar aqui e quando o ritmo mudou e criei uma certa rotina fixa na cidade os fatos foram sendo processados e as fichas caindo, nestas horas a saudade aperta.
Encontrei em Salvador um grande amigo de São Paulo, o Fernandinho, que junto com seu irmão Vitor estão a um ano e meio desbravando o mercado de trabalho baiano.
Muitos papos e entre cervejas e passeios os irmãos Salgado foram maravilhosos guias e companheiros de passeios e baladas.
Para o final de semana do dia 26 de setembro finalmente havia convencido a Bianca de vir para cá matar a saudades depois de quase 30 dias longe e não podia ter sido em melhor hora, a namorada do Rubens também viria e ambos resolveram participar da regata de Aratu/Maragojipe passando o final de semana fora e deixando o Astrolábio inteiro para nós.
Assim juntos com os irmãos Salgados passamos a tarde do sábado no pier do Flat se embebedando e vendo o pôr do sol e fomos no domingo até o Rio Jacuípe e a Praia do Forte, além disto sozinhos no Astrolábio pudemos por o papo em dia e sonhar em um dia estar alí, de novo e da mesma maneira com o nosso próprio barco.
Para se despedir nada como o ensaio do Olodum no final de um domingo em pleno pelourinho, foi curto e intenso, mas valeu a pena!!!
Salvador com "M" maiúsculo !!!

Salvador é mais do que MENDIGAGEM e com o tempo vc aprende a MALANDRAGEM para escapar destas abordagens insistentes e começa a enxergar as outras faces de uma cidade que mais do que mendiga canta.
MÚSICA é uma feliz constante em todos os dias e todas as horas na cidade que é pura música.
Ensaios do Olodum de domingo e terça, pagodes, sambas, capoeiras, concertos ao ar livre e sempre invasões de tambores que descem a ladeira encantando a todos dão o ritmo aos que andam a pé pelo Pelourinho.
O MAR também é senhor da cidade e ele está em todos os lados dela, da Bahia de Todos os Santos desde Maragojipe até dobrar o Faról da Barra e sair para o mar aberto Salvador está voltada toda para o Mar.
MULATOS são a maioria por aqui e se vc não tem "aquele" bronzeado afrobaiano tú é então galego turista e pode esperar, alguém vai te pedir um real, um cigarro, um prato de comida....ou ainda vc vai ser abordado pelas MERETRIZES!!! e como tem delas por aqui, na rua ao ar livre, dia e noite, em todo o canto a toda a hora e ainda te falam na cara dura: - Me leeeva?
Assim em pouco tempo de vivência descobri que Salvador se escreve com "M" maiúsculo!!!
Me dá, me dá, me dá..........!!!

Depois de encerrado o Cruzeiro a rotina mudou para todas as tripulações, alguns se despediram deixando os barcos, outros permaneceram na cidade a espera do Rally Salvador / Maceió / Recife que partiria dia 14 de setembro e enquanto isto, quem ficou, colocou a vida em dia e saiu a turismo pela cidade baiana. Foi o meu caso !!!
Aproveitei o tempo para visitar amigos que aqui moram, conhecer a cidade e respirar a sensação de morar por quase 20 dias entre a Cidade Baixa e o Pelourinho, usando o elevador lacerda diariamente para "trabalhar", e foi de lá no Bahia Café (uma Baiano house) que diariamente consegui atualizar grande parte dos capítulos deste blog numa rotina bem baianamente lezada.
No início o que mais me impressionou nesta cidade foi a mendigagem descarada: os olhares "pedintes esfomeados" muitas vezes bem barrigudos e bem nutridos não dão um tempo, é parar pra ver uma vista ou uma placa e vem 5 te pedir um real, uma moeda, uma comida, um cigarro ou seja lá o que for, o importante é continuar pedindo.
De todas as experiências a mais engraçada foi a de um casal que usou uma estratégia ótima fingindo serem surdos mudos. O mendigo tentou de tudo, falou inglês, francês, alemão, castelhano, gesticulou e eu percebendo sentado num bar quase morri de tanto rir, o casal percebendo pagou a conta e continuou gesticulando a "lingua dos gestos" para o mendigo e veio até mim comentar o quanto estava insuportável esta mania soteropolitana.
Iniciamos uma conversa até que o figura se avizinhou e escutando o casal falando em portugês não pensou duas vezes e lançou: - AAAHH O SENHOR FALA NÉ? Todos caímos na risada e o figura seguiu atrás deles pedindo: - Me dá um real, um café, um cigarro, um soco no olho, um abraço, qualquer coisa mas me dá alguma coisa.....
Final do Costa Leste 2006.

Chegar em Salvador teve um sabor de uma grande aventura concluída, na verdade não era nem a metade do caminho que tínhamos pela frente até chegar na Paraíba, mas um projeto de viagem se conquista por fases e aqui em Salvador se encerrava uma delas - a participação do Cruzeiro Costa Leste 2006.
Não acompanhei este cruzeiro desde o início, que partiu do Rio de Janeiro em 28 de Julho com 42 barcos. Perdi as etapas de Búzios e Cabo Frio, mas acabei respirando fundo esta iniciativa do Iate Clube do Rio de Janeiro que estimulou muitos barcos a largarem as suas poitas e subirem até aqui.
Muitas críticas e fofocas rolaram durantes as etapas, mas o resultado final que se extraiu foi que todos os barcos chegaram em segurança a Salvador, cumprindo todas as etapas e houve muita interação entre es tripulações, lindos passeios e principalmente as amizades entre as diferentes personalidades que participaram.
Se houveram falhas que sirvam estas para o aprimoramento da próxima edição, excessos? que se aparem as arestas, afinal de contas só erra quem se expõem a assumir a condução de um evento e a realizar um sonho, e o maior erro que se pode cometer é críticar quem assume os riscos ao invés de colaborar. Para mim foi uma experiência única, conheci pessoas maravilhosas, com histórias interessantes de vida e personagens que só fizeram me enriquecer como pessoa: Santini, Valmir, Rubens, Paul, Diana, o Dr. Wilson, a Claudia e Valdo, a Cristina, a família Beduina e Cavalo Marinho, o pessoal do Isadora, Kapiao, o Luis Poesia, os meninos de Vitória, o Taai fung, a Família Arizon, o Kakau mau mau, o Projeto Horizonte e os tripulantes Zóio e Maguila, O Nicolau e o mineiro, a turma de músicos do Serenata e Simbá, a turma do Isadora, TODOS os argentinos do Cruzeiro da Amizade, Leoa Louca, Pasargadas... Meu Deus com certeza esqueci de alguém neste mar de gente grande e personalidades tão diferentes; assim depois que todos os barcos foram recebidos no CENAB, foi tempo de festa e despedida ao som da trilha sonora que marcou o cruzeiro de 2006. Não sejamos loucos de parar por aqui!!!Que venha 2008 !!! (para ler mais acesse www.velejar.com, escrevi um resumo do cruzeiro costa leste para a revista)
September 11, 2006
No mar a caminho de Recife

Em poucos minutos sairemos de salvador em direção a Maceió, queremos chegar no sábado em Recife, lá terei mais tempo para escrever sobre os 20 dias que ficamos aqui, além da minha ida a Chapada Diamantina que foi uma surpresa e tanto, sendo assim me despeço e até a semana que vem, se deus quiser do Iate Clube Cabanga - Recife.
Noronha está finalmente chegando!!!
September 04, 2006
Sorria vc chegou na Bahia !!!

A nossa entrada na Bahia de Todos os Santos foi feita como se deve, velejando. O vento deu o ar da graça até o final, apesar disto contrariar os nossos interesses naquele dia. Ao resolvermos enrolar a genoa percebemos que havíamos feito um erro de medição do cabo e não conseguíamos enrolar mais do que a metade da vela, ou seja, tinhamos na mão um barco que não iria parar nunca com aquele vento. Assim avançávamos entre outros veleiros, navios e a sinalização de navegação do porto numa velocidade indesejada, pensando no que fazer antes que a entrada do CENAB (Centro Náutico da Bahia) chegasse. Distraídos com a situação, de repente resolvi olhar embaixo da vela que fechava nossa visão e tomei um susto ao ver uma pequena canoa de pesca ancorada a menos de 5 metros do nosso rumo, comecei a gritar BORESTE BORESTE e os "agora brancos" pescadores baianos abriram os braços reclamando com razão da situação, foi por muito pouco que evitamos uma tragédia poucos minutos antes de chegar. O CENAB se aproximava, já se avistava o Forte Marcelo e tentamos enrolar a vela com a mão, depois com um cabo, pensamos em soluções e no final baixamos ela desajeitadamente entrando no CENAB por volta do meio dia, sob um sol forte e fógos de artifício.
Já ancorados no pier fomos recebidos pela mulata Baiana acompanhada do garçom trazendo especialmente à tripulação do Astrolábio uma bandeja de frutas e de caipirinhas. Estávamos na Bahia desde Abrolhos, mas em nenhum outro lugar fomos recebidos como foi na capital baiana.
Portanto SORRIA VC CHEGOU NA BAHIA!!!
September 02, 2006
Salvador na proa !!!


Última navegada antes de concluir finalmente a participação no Cruzeiro Costa Leste 2006, para mim tinha gosto de realização desde o embarque em Vitória. Quando lá cheguei não tinha nem certeza do embarque, depois houve o desafio da adaptação com o Rubens e possíveis imprevistos durante as nossas paradas, mas estava já tudo na esteira do Astrolábio e nas nossas lembranças da viagem até alí. O Rubens se revelou para mim um excelente navegador, persistente, safo, minucioso e principalmente muito cuidadoso, virginiano ao extremo e teimoso como eu, mas acho que acabei sendo mais MULA do que ele e isso permitiu que eu continuasse ali, mantendo-me firme e forte como tripulante de um veleiro que tem um Capitão Samurai.
(quando baixa sai de baixo !!!)
Naquele dia nosso envolvimento já estava mais afinado e depois de 15 dias navegando juntos, e posso dizer pelo que escutei e vi de outras tripulações que participavam que o nosso era um case de sucesso neste cruzeiro.
Respeito, diálogo, troca de experiências e divisão justa de custos e tarefas foram mantendo o nosso bom convívio a bordo do Astrolábio.
Neste dia o vento soprou forte, 20/25 nós e mandou ondas altas e curtas, tornando a navegação dura e molhada. Avistamos mais baleias na proa e o sol deu a cara tornando a velejada sensacional. Sob um vento forte tudo ia bem até que o cabo do rizo da genoa se partiu, começou a bater tudo e rapidamente ajustamos a vela. O barco adernou muito e tínhamos que instalar um novo cabo de rizo para reduzir o pano. Assim fui com um cabo para a proa fazer o serviço e com a faca na boca, prendendo o cabo no pé, sentei na proa do barco que mergulhava inteira a cada onda na água e me ensopando por fora e por dentro.
Lembrei muito do meu grande amigo Fred, p mestrecuka e proeiro do Daruma que já meti em tantas situações parecidas nas regatas e cruzeiros que juntos fizemos, tenho certeza que ele faria o mesmo serviço feliz e com a mesma determinação.
Depois de cortar o cabo velho, enrolei com as mãos uns metros de cabo novo dentro do enrolador da genoa, a cada mergulho da proa parava o serviço para me segurar e assim que finalizei, voltei ensopado e em segurança para o cockpit do Astrolábio. Rizamos novamente a genoa e graças a Deus havia feito o serviço bem feito, a vela rizou direitinho e o barco voltou a navegar bem na dureza do mar. O Capitão Samurai ficou feliz e me deu até parabéns, mas 10 minutos depois o cabo partiu novamente...não tive dúvidas em refazer tudo de novo agora com mais expertise no assunto. Não deu outra, escolhemos um cabo novinho e este nos levou até o fim.
O resto da viagem foi só alegria até avistar na proa o sky line dos prédios de Salvador, os navios entrando e saindo do porto, o Faról da Barra e a tão famosa Bahia de Todos os Santos, velejávamos neste momento no través da Ilha de Itaparica.
ALVORAAAADA !!!


A ressaca foi forte na manhã de terça feira dia 22 de agosto, e se de um lado pelo canal 16 eu tentava recuperar meu tênis, do outro lado e na mesma freqüência o comandante do veleiro Prometeus tentava recuperar o filho, todos os veleiros estavam finalmente partindo para Salvador. Assim um a um foi levantando âncora e vela e o Astrolábio saiu pela Baia de Camamu de mestra em cima a todo vapor em direção a mar aberto seguindo seus ways points. Mar picado, bastante vento, 15 nós, sempre com chuva na proa, mas sempre nos dando passagem, mais uma baleia deu o ar da graça e eu fiz um almoço de restos. Lá pelo final da tarde estávamos chegando com um vento mais forte e com chuva em Morro de SP, um lugar que sempre quis conhecer.
Ancoramos a uns 50 metros da costa, ainda estava claro e pude ver o contorno dos morros, as casas, os barcos de transporte, o pier da cidade, tudo ali tão perto quanto intocável.
Sairíamos por volta das 4 horas da manhã e colocar o bote na água para remar(ainda sem a peça do motor)não valeria a pena, até ensaiei pedir uma carona, mas a maioria dos barcos ancorou distante de Morro, mais a dentro da baia no vilarejo chamado Gambôa, e assim me conformei e apreciei a escuridão da noite tomar conta do meu destino revelando apenas as luzes do agito e do Faról de Morro de SP.
A chuva caiu durante a noite e lá pelas 4 da manhã o Domani se mandou, aguardamos mais uma hora e no intervalo da chuva foi a nossa vez, o tempo estava carregado e motoramos em direção ao mar aberto passando pela fragata da marinha que estava na região. Justamente quando passávamos ao través da fragata escutamos um apito longo e agudo, parecia um aviso, um alerta, e realmente era, pois logo em seguida escutamos alguém do barco falar ao megafone em alto e bom tom: ALVORAAAADA !!!
E assim ao alvorecer do dia 23 de agosto mantive no meu sonho um dia conhecer Morro de SP e se Morro estava ficando para trás na popa do Astrolábio tínhamos agora um outro objetivo, avistar SALVADOR na proa.
September 01, 2006
Não espalha o fato !!!



Em Taipú de fora passamos todo o dia bebendo, comendo e como vcs vêem alguns comandantes padeceram no paraíso, final da tarde enfrentamos mais 40 minutos de saculejo na estrada de terra para voltar e ainda mais meia hora de escuna de Barra Grande até a Pousada da Soninha. Chegando no "bar central" as conversas eram de quando, como e para onde seria a próxima parada antes de chegar em Salvador.
Alguns iriam direto, outros sugeriram parar em Morro de SP para dormir.
O fato é que ninguém queria sair durante a noite de Camamu por causa dos recifes escondidos e todos preferiam chegar em Salvador durante o dia, afinal as luzes da cidade e a iluminação da entrada do porto se confundem na escuridão da noite, sem falar dos navios.
Neste cenário decidimos sair cedo na manhã seguinte e dormir em Morro de SP.
Última noite em Camamu e rolou a movimentação de uma balada entre os mais jovens, a caravana se organizou para saculejar mais uma vez 45 minutos até a vila de Barra Grande para ir dançar no único bar boate que tinha na região, o Espalha Fato.
A negociação foi complexa, feita entre os barcos Astrolábio, Arizon, Prometeus, Isadora, Pasagardas, Poesia e Kapiao e até o Rubens entrou no VHF para pechinchar o preço do Jipe, do Bar e da caipirinha de graça que o bar oferecia, foi uma tremenda zona no canal 06. Parecia um pregão.
Enfim a turma de 11 pessoas, incluindo eu, se aglutinaram dentro e fora do jipe e saculejaram na ida e na volta sob um céu muito estrelado e as luzes do faról de Península de Maraú vum visual alucinante. Já na "pista de dança" só deu a gente, tinha lá mais umas 4 pessoas, sendo dois os donos do bar. Transado o lugar, com uns desenhos legais na parede e no teto, as caipirinhas eficientes e o atendimento atencioso. Todos dançaram pela primenria vez juntos e lá pelas 2 da manhã os "mais experientes" como eu começaram a pôr uma pilha na moçadinha, confusão para pagar como sempre e iniciamos o saculejo da volta.
Voltamos ligeiramente desfalcados, pois além de um tripulante desertor que não voltou, tinha outro desacordado pelo excesso de caipirinha e notamos estes excessos pela quantidade de paradas necessárias durante o caminho de volta. Toda hora alguém gritava: - Vai vomitar !!! Quero fazer xixi !!! ou os mais caras de pau - Caiu minha sacola !!! e assim aos trancos e barrancos fui em silêncio me segurando, segurando até que olhando para meus pés notei, já quase chegando, que havia deixado meu único e querido tênis desta viagem no Espalha Fato !!!
Taipú de fora



A questão de eleger a "melhor" praia do Brasil ou a "mais bonita" é um desafio insano para qualquer um, trabalho para guias de turismo que objetivam promover a cada ano uma determinada região. O Brasil tem tantas praias lindas que não é possível que exista uma mais linda ou melhor, cada um de nós pode ter a sua própria preferência, quem conhece a Baia da Ilha Grande entende isso. No entanto Taipú de Fora com certeza está entre as praias mais lindas que eu já vi, disto eu não tenho dúvidas. Na maré baixa os corais aparecem e a água fica limpinha para mergulhar, tem ondas grandes para surfar e muito vento também para a prática de kite surf, wind, enfim, é uma praia para todos os gostos, isto deve ter sido um dos fatores que a elegeu a quarta praia mais bonita pelo guia da QUATRO RODAS deste ano, mas por curiosidade vamos aguardar o Guia do ano que vêm.
As fotos provam que ela merece infinitos aplausos.
Rally para Taipú de fora




O dia seguinte seria o último antes da partida, já estava rolando uma movimentação e conversas paralelas sobre a partida dos barcos, desde Ilhéus na reunião de comandantes ficou decidido pela organização que a próxima reunião seria apenas no destino final do Cruzeiro Costa Leste, na capital Baiana. Sendo assim as paradas entre Ilhéus e Salvador variaram entre Itacaré, Morro de SP e Camamu. A grande maioria optou mesmo pela programação e desfrutou estes dias em Camamu e foi um tempo para fazermos passeios coletivos "abandonando" um pouco os veleiros na tranqüilidade desta bacia. Assim nosso último dia inteiro foi marcado por um rally amador que começou com um passeio de escuna até Barra Grande, dali pegamos 3 jipes que chacoalharam na estrada por uns 30 minutos para chegar a praia de Taipús de fora, considerada pelo guia 4 rodas a quarta praia mais bonita do Brasil, dizem que as outras 3 estão em Noronha. Foi divertido e doloroso tentar conversar saculejando dentro destes jipes.
Cabeça de bacalhau !!!

Voltando do passeio estávamos cansados e o povo acabou dispersando, alguns foram jantar na pousada da Soninha, outros ficaram nos barcos e eu saí de bote sozinho contra a maré e cheguei num buteco pra tomar uma saideira, acabei encontrando a galera de Vitória que tripulava o veleiro Poesia e o Lopes, 80 anos tripulante do veleiro Kapiao.
Tomamos cerveja e comemos um peixe escutando as histórias de pescador (as verídicas) deste experiente marinheiro que está junto com o Inácio, 75 anos, velejando desde o Rio de Janeiro num veleiro de 27 pés. A lucidez destes dois marinheiros e a tranqüilidade de viver impressiona e ganhou a admiração de todos os participantes do cruzeiro, é fato que eles às vezes não escutam bem, eles mesmos alertam, mas isto nada impediu que ambos tenham navegado como todos os outros chegando em todos as paradas dando uma lição de vela e de vida para as outras tripulções.
A discussão se bacalhau tem ou não cabeça tomou conta da metade da noite e, segundo o Lopes, bacalhau tem cabeça sim senhor!!! ou como ele mesmo responde - " já viu peixe sem cabeça nadando?"










